sexta-feira, 15 de abril de 2016

Itens Raros: O Desafio dos Bandeirantes


É um RPG brasileiro, ambientado durante o período colonial entre os séculos XVI e XVII, e ainda que tenha um ambiente marcadamente histórico, também possui um profundo plano de fundo fantástico. O jogo assume que todos os mitos e lendas daquela época são reais, que o diabo anda entre os mortais procurando uma vítima disposta a trocar sua alma por algum favor, que a Iara, Curupira, Boitatá, Boiúna, Mapinguari e a Mula-Sem-Cabeça são reais e disputam o cenário com índios alados, feiticeiros negros e bruxos que trouxeram para a Terra de Santa Cruz as antigas práticas mágicas do Velho Mundo. Esta é a proposta inicial de O Desafio dos Bandeirantes: os jogadores interpretam humanos normais, que deverão viver e sofrer na sociedade colonial e ao mesmo tempo estarem diante de uma realidade oculta e rica em mistérios.

O sistema de jogo está baseado num sistema de habilidade percentuais e atributos . O Desafio dos Bandeirantes usa dados de 10 faces (d10) para os testes de habilidade (dois dados simulam um "d100"), dados de 20 (d20) para os confrontos de habilidades, e dados de 6 faces (d6) para os cálculos de dano. O dano se classifica como cortante ou impactante. As armaduras reagem de maneira diferente a cada tipo de dano, mas se danificam a cada golpe, podendo ser parcialmente restauradas nos momentos de tranqüilidade, caso ainda não tenha se transformado em farrapos inúteis. Há certas características que o jogador não escolhe, sendo determinados aleatoriamente, como a classe social. O sistema de combate é simples e, ao mesmo tempo, detalhado, também sendo bastante sangrento e realista. A magia, por outro lado, é complicada e ritualística, e não é tão fácil levar a cabo feitiços com êxito, como em outros jogos mais fantásticos.



A época em que se desenvolve, o período do Brasil Colônia (o ano corrente é 1650), é um tanto conflituoso. Os povos do Velho Mundo aqui têm nomes diferentes, baseados em denominações históricas. São os francos (franceses), os castelanos (espanhóis), os lusitanos (portugueses), os romanos (italianos), os flandrinos (holandeses) e os bretões (ingleses). Negros foram trazidos à força do Continente Negro para trabalharem nas lavouras de cana-de-açúcar. Há tribos indígenas amistosas e neutras, e aquelas que são sempre hostis para com os homens brancos. E há os tipos mestiços, geralmente desprezados pelas etnias das quais descendem. Dominantes nessa sociedade colonial, os brancos promovem a exploração do novo continente. Mas essa empreitada reveste-se de grandes perigos: A todo momento pode-se cruzar com uma tribo inamistosa, pronta para lançar suas flechas contra os invasores da terra. Um grupo de viajantes pode sofrer baixas graças ao ataque de uma onça faminta ou de uma cobra venenosa. Ou ao atravessar um rio, por obra de um jacaré ou um cardume de piranhas.

Em O Desafio dos Bandeirantes a magia está na ordem do dia. As bruxas realmente existem e preparam estranhas poções em seus caldeirões, pajés transformam-se em animais selvagens, padres jesuítas ministram curas, sacerdotes negros incorporam orixás. Ainda que os jogadores possam deixar que seus personagens conheçam e utilizem a magia, devem levar em conta que, nesta época, tudo aquilo que é sobrenatural ou mágico é considerado pela maioria das pessoas como algo demoníaco e absolutamente proibido; contudo, nas manifestações peculiares de cada etnia, a magia cumpre um papel importante na sobrevivência dos humanos em um ambiente ao mesmo tempo tão inóspito e tão cheio de belezas e os poderes mágicos ou divinos de seus portadores os tornam tão temíveis quanto um homem armado.

A Terra de Santa Cruz tem uma riquíssima mitologia, repleta de curiosas criaturas e enigmáticas lendas. Para proteger a natureza ou simplesmente destruir o que é vivo, as criaturas do nosso folclore estão aí, mais letais do que nunca! Do meio da mata cerrada, surge uma enorme cobra de fogo — é o Boitatá que chega. Desesperado, você acorda no meio da noite tentando em vão respirar — são as mãos invisíveis do Jurupari estrangulando-o. Alcançando um rio, ouve um canto e como em um sonho caminhas em direção da água — mais uma vítima do encantamento irresistível da Iara; estas e outras muito mais terríveis, obscuras e perigosas de procedência infernal. Todas elas estão presentes no jogo.

O Desafio dos Bandeirantes foi lançado pela GSA (a mesma editora de Tagmar) em dezembro de 1992, sendo o quarto RPG publicado no Brasil e o primeiro a abordar temas nacionais. Era um RPG de fantasia histórica, passado numa versão mítica do Brasil colonial (chamado Terra de Santa Cruz), por volta do ano de 1650. Recebido inicialmente com estranheza, o Desafio foi rapidamente aceito pelos jogadores de RPG, que passaram a considerá-lo como um jogo autêntico, original e criativo. Com o fechamento da GSA sua edição foi cancelada. Após o fechamento da GSA e a criação da Akritó Editora, muito se falou sobre um GURPS Desafio dos Bandeirantes ou uma adaptação para o Sistema d20.

O cenário de RPG Brasil Barroco é um dos cenários apresentados no Sistemas Incorporais criado por Eliane "Lilith" Bettocchi e Carlos Klimick, o qual tem uma proposta de pesquisa sobre interatividade e narrativa. Brasil Barroco trabalha o ambiente estético e o momento histórico do Brasil do século XVII, apesar de admitir uma presença sutil da magia e seres sobrenaturais, não se constitui em uma segunda edição de O Desafio dos Bandeirantes.

Em 2003 Luiz Eduardo Ricon escreveu um artigo no site Rede RPG sobre uma equipe de colaboradores desenvolvendo da adaptação do Desafio para o Sistema d20. No entanto em janeiro de 2008 ainda não havia previsão de lançamento do novo título.

Manuais e suplementos

1992 — O Desafio dos Bandeirantes — livro de regras e ambientação (Carlos Klimick, Flávio Andrade e Luiz Eduardo Ricon) / Ed. GSA;

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1993 — A Floresta do Medo/O Engenho — suplemento de aventuras para O Desafio dos Bandeirantes (Carlos Klimick, Flávio Andrade e Luiz Eduardo Ricon) / Ed. GSA;

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1995 — O Vale dos Acritós — suplemento de aventura para O Desafio dos Bandeirantes (Carlos Klimick e Flávio Andrade) / Ed. GSA;

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1995 — Os Quilombos da Lua — suplemento de regras e aventura para O Desafio dos Bandeirantes (Flávio Andrade, Luiz Eduardo Ricon) / Ed. GSA

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